domingo, 18 de março de 2012

IV Domingo da Quaresma

Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça
(Jo. 3, 16)

Amados Irmãos,

Aproximamo-nos cada vez mais da semana santa, tempo que meditaremos mais profundamente a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, centro da mensagem do Kerigma pregado pelos Apóstolos as primeiras comunidades. A liturgia deste domingo convida-nos a elevar o nosso olhar a Cristo Jesus, fonte de salvação de toda humanidade. A primeira leitura, que meditamos neste dia, faz alusão a infidelidade do povo de Israel. Este povo escolhido por Deus junto aos seus sacerdotes, mancharam o Templo do Senhor e transgrediram sua lei oferecendo sacrifícios aos ídolos como fazia os pagãos de sua época (Cf. 2Cr. 36, 14). É a infidelidade a Deus (a idolatria) que foi denunciada insistentemente pelos profetas. O Senhor Deus em sua imensa misericórdia envia seus mensageiros, isto é, os profetas para advertir aquele povo de coração transviado dos seus erros, entretanto, a estes, Israel não quis ouvir, “eles zombavam de seus enviados, desprezavam seus conselhos e riam de seus profetas, até que a ira de Deus se desencadeou sobre o seu povo, e não houve mais remédio” (2Cr. 36, 16).
O sofrimento que passa o povo de Israel após estes acontecimentos não é um castigo de Deus ou manifestação de sua ira, porque se pensássemos desta forma estaríamos negando o que nos diz São João, “Deus é AMOR” (1Jo. 4, 8). Onde existe o amor, não há espaço para o ódio, a raiva ou sentimento de vingança. É por ser AMOR e amar o homem que Deus não castiga ou faz sofrer seus amados. O que aconteceu com Israel, a sua ruina é apenas consequência do seu pecado e de suas más escolhas. É o pecado (que é uma escolha por um bem menor e negação da vontade de Deus) que distancia o homem de Deus e consequentemente do bem. O Senhor não quer ver seu povo padecer, por isso envia seus profetas para advertir dos perigos que corre quem se extravia do caminho do bem. Mas a voz do Senhor nem sempre é ouvida, “Em vão o Senhor, Deus de seus pais, lhes tinha enviado, por meio de seus mensageiros, avisos sobre avisos, pois tinha compaixão de seu povo e de sua própria habitação” (2Cr. 36, 15), o povo trocou seu único Deus por ídolos e sua ruina foi catastrófica.
Durante toda a História da Salvação encontramos Deus que vem ao encontro do seu povo, que ama e protege-o. Contudo, nem sempre este povo aceita o Senhor ou permanece próximo a Ele. Por diversas vezes o “Povo de Deus” afastou-se do Senhor e optaram por caminhos diversos ao caminho por Ele indicado. A humanidade desde Adão e Eva, extraviou-se do caminho seguro, com o seu não a Deus criou um abismo que não permite aproximar-se do seu criador, isto é, voltar a ter uma intimidade de amor com teu Senhor. De fato, somos incapazes de com nossas próprias forças reestabelecer nossa união com Deus. É por isso que São Paulo, na Segunda leitura deste dia diz a comunidade de Efésio, “Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo - é por graça que fostes salvos!” (Ef. 2, 4-5). É bela esta imagem que apresenta-nos Paulo; Deus que vem ao encontro do homem, que esta como que morto, por causa do pecado e o resgata para perto do seu coração. O Senhor por meio do seu Filho, Cristo Jesus se faz pequeno, nos visita e nos eleva a grandeza do seu amor por meio da sua graça. Assim, Cristo Jesus mediante a sua Paixão reata a nossa união com o Pai perdida desde o pecado de Adão.
São João, no Evangelho de hoje, descreve o encontro que tem Jesus com Nicodemos. Jesus fala a Nicodemos sobre o verdadeiro batismo, do Espírito que faz o homem nascer de novo, ou seja, da necessidade da conversão do coração, do renascer na graça (Cf. Jo. 3,1-3). Mas não basta apenas converte-se, é preciso que a conversão gere uma mudança radical de vida “é necessário nascer de novo”, olhar a Cristo, a sua vida e segui-Lo. “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna” (Jo. 3, 14-15), Ao falar com Nicodemos, Jesus compara a serpente que Moises elevou sobre um haste, para salvar aqueles que eram picados pelas cobras no deserto, com o Filho do Homem (Cristo que será elevado na cruz). É olhando a Jesus Cristo suspenso no madeiro da Cruz que todo aquele que se encontra ferido de morte, por causa do pecado, alcança a salvação.
O homem para ser salvo, precisa apenas crê em Cristo Jesus e seguir seus preceitos “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3, 16). Falávamos no inicio que o homem ao pecar contra Deus torna-se impotente, que precisa da graça divina para vencer o mal (o pecado) e voltar à união com o Senhor. A graça é uma manifestação do amor de Deus que em seu amor imenso vem em auxilio da fraqueza humana. É esta graça que dar ao homem força para prosseguir em sua caminhada “Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça”. Todo aquele que confia em Jesus e permite que Ele transforme seu coração, tem sua vida renovada e é chamado a vir à luz “Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus” (Jo. 3, 21). É deixando-nos ser iluminados pela Luz que é Cristo que afastamo-nos das trevas do pecado e da morte.
Amados irmãos, Eis o tempo de conversão! Eis o dia da Salvação! Já dizia um belíssimo cântico do tempo da quaresma. O tempo é agora, o Senhor nos convida a olharmos a seu Filho Jesus suspenso no haste da Cruz, sinal do seu imenso amor por nós. É Cristo que cura nossas feridas, que nos torna herdeiros da graça. Durante esta semana busquemos fixar nosso olhar em Jesus, reconhecer que estamos feridos pelo pecado e que precisamos aproximar-nos do seu amor, pois só Ele pode nos curar. Peçamos a Maria Santíssima, ela que estar sempre diante do seu Filho Jesus, que estava aos pés da Cruz no dia da sua Paixão a testemunhar seu amor por nós, que ela mostre-nos teu amado Filho e que possa nos proteger com seu amor de Mãe. Maria Consoladora dos aflitos, rogai por nós. Amém.


Roma, 17 de março, 4° Domingo da Quaresma, do ano do Senhor de 2012.



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil

sexta-feira, 16 de março de 2012

São João da Cruz



São João da Cruz foi um dos santos mais desconcertantes e ao mesmo tempo mais transparentes da mística moderna. Grande mestre da vida espiritual, transformou todas as cruzes em meios de santificação para si e para os irmãos.
Três coisas pediu e acabou recebendo de Deus: primeiro, dar-lhe força para trabalhar e sofrer muito; segundo: não o fazer sair deste mundo como superior de uma comunidade; e terceiro: deixá-lo morrer desprezado e escarnecido pelos homens. Pregador, místico, escritor epoeta, João da Cruz faleceu após uma penosíssima enfermidade, em 1591 com 49 anos de idade e o Papa Pio XI o declarou Doutor da Igreja.
Confira um pouco de sua riqueza espiritual expressa em suas frases:
"Não se contentar com o que diz o confessor é orgulho e falta de fé."
"A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer, sente-se impedida em sua liberdade e contemplação."
"O mais leve movimento de uma alma animada de puro amor é mais proveitoso à Igreja do que todas as demais obras reunidas."
"Por causa de prazeres passageiros, sofrem-se grandes tormentos eternos."
"Meus são os Céus e minha é a Terra, meus são os homens, e os justos são meus; e meus os pecadores. Os Anjos são meus, e a Mãe de Deus, todas as coisas são minhas. O próprio Deus é meu e para mim, pois Cristo é meu e tudo para mim." (Sobre a Eucaristia)
"Não faça coisa alguma, nem diga palavra alguma que Cristo não faria ou não diria se encontrasse as mesmas circunstâncias."
"Renuncie aos desejos e encontrará e encontrará o que seu coração deseja."
"Que felicidade o homem poder libertar-se de sua sensualidade! Isto não pode ser bem compreendido, a meu ver, senão por quem o experimentou. Só então se verá claramente como era miserável a escravidão em que se estava."
"Quem se queixa ou murmura não é cristão perfeito, nem mesmo um bom cristão."
"Senhor, quero padecer e ser desprezado por amor de Vós."
"A pessoa que está presa por algum afeto a alguma coisa, mesmo pequena, não alcançará a união com Deus, mesmo que tenha muitas virtudes. Pouco importa se o passarinho esta com um fio grosso ou fino... ficará sempre preso e não poderá voar."
"Para possuir Deus plenamente é preciso nada ter; porque se o coração pertence a Ele, não pode voltar-se para outro."
"O demônio teme a alma unida a Deus como ao próprio Deus."
"O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do amor tornar aquele que ama semelhante ao amado."
"Dar tudo pelo tudo."
"A pessoa que caminha para Deus e não afasta de si as preocupações, nem domina suas paixões, caminha como quem empurra um carro encosta a cima."
"A constância de ânimo, com paz e tranqüilidade, não só enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando-lhes a solução conveniente."
"O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em despojar-se e sofrer pelo amado."
"O progresso da pessoa é maior quando ela caminha às escuras e sem saber."
"Deus quer mais de ti um mínimo de obediência e docilidade, do que todas as ações que realizas por ele."
"Mesmo carregado de grandes e molestas tentações, o homem pode ir a Deus, desde que sua razão e vontade não consintam nelas."
"Queira torna-te, no padecer, algo semelhante a este nosso grande Deus, humilhado e crucificado, pois que esta vida só tem razão de ser se for para imitá-lo."
"Quando a alma se acha livre e purificada de tudo, em união com Deus, nenhuma coisa poderá aborrecê-la. Daqui se origina para ela, neste estado, o gozo de uma contínua vida e tranqüilidade, que ela nunca perde nem jamais lhe falta."
"Tal é a alma que está enamorada de Deus. Não pretende vantagem ou prêmio algum a não ser perder tudo e a si mesma, voluntariamente, por Deus, e nisto encontra todo seu lucro."
"Não fujas dos sofrimentos, porque neles está a tua saúde."

segunda-feira, 12 de março de 2012

#DicaDeLeitura


#Dica: Para ler com nitidez, copie a imagem pro seu computador e amplie. A mensagem é muito importante!

domingo, 11 de março de 2012

III- Domingo da Quaresma

“Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”
(Jo. 2, 16)

Amados irmãos,

No Evangelho deste domingo nos encontramos com Jesus que expulsa os vendedores do Templo, “Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas.” (Jo. 2, 15). João nesta passagem do seu Evangelho nos mostra duas coisas: a primeira delas é que, Jesus não suporta ver o Templo, local reservado para a oração e encontro com Deus, ser transformado em uma verdadeira área de comercio, “Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” (Jo. 2, 16). Onde cambista aproveitam-se dos peregrinos para tirar proveito. A segunda é o anuncio da sua Paixão, “Destruí, este Templo,” (Jo. 2, 19). São João apresenta o discurso de Jesus sempre com palavras que vai além do significado natural. Utiliza uma linguagem literária, onde as palavras têm um segundo significado ou um significado que vai além daquele comum. Assim, Cristo ao falar da destruição do Templo, refere-se ao templo do seu corpo, que em três dias seria reerguido, isto é, ressuscitado, e em três dias o levantarei. É o próprio João que vai dizer, “Jesus estava falando do Templo do seu corpo” (Jo. 2, 21).
É o amor ao Pai que o impulsiona a Cristo ter um respeito e zelo pela casa que era reservada ao encontro com o Senhor. A lei, os mandamentos consistem no amor de Deus que indica ao homem como viver bem e assim chegar um dia a morada eterna. Ao homem cabe apenas responder a este amor por meio da fé, que é uma adesão confiante a Deus e na pratica dos seus ensinamentos. É isso que nos mostra o livro do Êxodo, que lemos na primeira leitura de hoje, “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de minha face. Um Deus zeloso, que usa de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos” (Cf. Ex. 20, 1-6).
Caríssimos! Peçamos a Deus a força necessária para sempre seguir os seus ensinamentos e deixar sempre em nosso coração um espaço onde possamos encontra-lo. Não façamos do templo do Senhor, isto é, o nosso corpo que é morada do Espirito Santo, um lugar de venda, um posto de cambista. Que nossa vida seja um verdadeiro templo santo onde os nossos irmãos possa se aproximar e sentir a presença do Nosso Deus e Senhor. Peçamos a Maria santíssima que venha ao nosso auxilio nesta longa caminhada da vida. Maria Mãe dos viajantes, rogai por nós. Amém.

Roma, 11 de março, 3° Domingo da Quaresma, do ano do Senhor de 2012.

Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil

terça-feira, 6 de março de 2012

Confissão



Confissão: nossa fortaleza
Jesus nos cura da paralisia espiritual


Todos os pormenores que envolveram a cura do paralítico (cf. Mc 2,1-12) são profundamente significativos. Aquela doença era bem o símbolo da paralisia espiritual e Jesus, com Seu poder divino, cura a moléstia do corpo e da alma. Com efeito, aquele homem saiu andando, carregando a cama em que o trouxeram até Cristo, que realizou algo ainda mais admirável ao lhe restituir a saúde da alma: “Teus pecados estão perdoados”. 
Após Sua Ressurreição, Cristo, que demonstrou peremptoriamente Sua divindade, outorgaria esta faculdade aos apóstolos: “A quem perdoardes os pecados, estes lhes serão perdoados” (Jo 20,23). Era a instituição do sacramento da penitência, o sacramento da libertação. Quando alguém diz que vai se confessar não se trata de um ato qualquer como ir ao dentista ou a qualquer consultório médico, o que já indica um mal corporal, mas atitude que se torna necessária para recuperar o bem-estar físico. 

Entretanto, o sacramento da reconciliação opera uma cura muito mais premente, que não admite nenhuma dilação, pois se trata do reencontro pessoal com Aquele que ama o que errou muito além de sua expectativa.Esse sacramento oferece o perdão das faltas veniais ou graves, sendo remédio espiritual que fortalece o cristão para os embates contra as investivas do maligno. Sana as falhas das eivas provenientes dos pecados capitais, sobretudo, do defeito dominante. 

O sacerdote é apenas um instrumento do Redentor, pois pronuncia, em Seu nome, a fórmula da absolvição. É Jesus quem cura a paralisia espiritual e ajuda para a caminhada rumo a Jerusalém celeste, impedindo as más decisões e as indecisões diante dos ataques demoníacos. O arrependimento sincero é uma volta medicinal aos erros passados, mas, sobretudo, uma largada para frente, para vitórias fulgurantes, obstando o cristão a desistir do mal, na prática das virtudes, na fidelidade à observância dos mandamentos, no anelo ardente de estar com Deus por toda a eternidade. Tira-se um fardo pesado e se imerge no oceano do amor infinito do Ser Supremo.

Percebe-se então que há uma diferença enorme entre o perdão dos homens e o do Criador, pois este é total. O Todo-Poderoso falou por intermédio do profeta Isaías: “Eu não me lembrarei mais dos teus pecados” (Is 43,25). Perdão completo que apaga as manchas devidas à fragilidade humana, benesse ofertada pelo grande amor do Senhor, que é a bondade infinita. Cumpre lembrar que o ato de dileção dos amigos do paralítico permitiu seu encontro com Jesus, encontro que resultou em consequências tão maravilhosas. 

Este é um apostolado muito abençoado por Jesus, levar os que estão nas trevas do erro para a luz da anistia divina. Aqueles que se comprimiam ao redor do Redentor tinham uma confiança formidável n'Ele. Cristo, que lia os corações, percebia a fidúcia que neles reinava. Primeiro, foram perdoados os pecados daquele doente, depois se seguiu sua cura. Eis porque, sobretudo, por ocasião de alguma moléstia, é preciso, antes de tudo, colocar a consciência em paz, mesmo porque os medicamentos só produzirão seu efeito total quando a tranquilidade e a imperturbabilidade imperam dentro do coração. Este não deve estar bloqueado, dado que é todo processo psicossomático que necessita ser restaurado. 

Os empecilhos que levam à paralisia espiritual podem vir de um passado infeliz, e tudo que esteja lá no inconsciente precisa ser aflorado, ou de um espírito rancoroso, revoltado, amargo que necessita se envolver num perdão cordial ou ainda dos muitos cuidados, ambições terrenas, paixões desregradas, situações familiares, profissionais. Numerosas são as causas que podem impedir o encontro com Jesus. Um sincero exame de consciência é a melhor de todas as terapias. 

Com habilidade, diplomacia e muita caridade os bons cristãos podem, de fato, ajudar os amigos a encontrarem o Médico Divino, apostolado admirável, meritório para o dia do juízo final. Adite-se ser de um valor imenso as preces pela conversão dos pecadores. Jesus deseja perdoar a todos, mas respeita a liberdade de nos aproximarmos d'Ele ou não, e conta com o interesse dos verdadeiros cristãos que levem outros até Ele. 

Representante de Cristo, o padre no confessionário exerce um tríplice papel. Ele é Juiz e, na verdade quantos, às vezes, pensam estar numa triste situação espiritual e, no entanto, necessitam apenas de pequenos ajustamentos vivenciais. Médico, ele cura enfermidades da alma. Nem sempre o mesmo remédio pode ser aplicado a idêntico tipo de doença, sendo morte para um o que é saúde para o outro. É o que se dá também na esfera espiritual: o confessor, habilmente, diagnostica o que se passa com quem o procura em busca de paz interior, oferecendo-lhe o medicamento adequado. Mestre, ele guia e aponta as veredas salvíficas; tudo isso em nome de Jesus, que tem poder de perdoar pecados.

sábado, 3 de março de 2012

II- Domingo da Quaresma

Este é o meu Filho amado; ouvi-o”
 (Mc. 9, 7)

Caríssimos,

O evangelho deste domingo nos transporta, junto aos discípulos, a uma alta montanha onde Jesus se transfigura, “ali foi transfigurado diante deles; as suas vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas, tais como nenhum lavandeiro sobre a terra as poderia alvejar” (Mc. 9, 2-3). Marcos apresenta-nos este episódio nos mínimos detalhes. Fala da nuvem, da luz, dos profetas e da voz. “Nisto veio uma nuvem que os cobriu, e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado; ouvi-o” (Mc. 9, 7), A nuvem que aparece sobre o monte e cobre os discípulos com sua sombra invoca o livro do Êxodo 40, 35-39, onde a “nuvem” era sinal da Glória de Deus que cobria a tenda do Senhor e protegia o povo do calor do deserto. A voz, que ouve os discípulos no monte Tabor, confirma a profissão de fé de Pedro (Cf. Mt. 16,16), Jesus é o Filho de Deus feito homem. Este acontecimento (da transfiguração) estar ligado também ao batismo de Jesus, o que diferencia é que no batismo, a voz que sai da nuvem se dirige apenas a Jesus, já na transfiguração a voz fala aos três discípulos ai presente. Jesus é apresentado como o novo Moises, “os levou... a um lugar retirado, sobre uma alta montanha” (Mc. 9, 2).
Jesus não refuta a Lei de Moisés, mas o legalismo e a interpretação limitada dos homens. Refutou a interpretação da Lei, mas a elevou, plenificou, completou com seus ensinamentos a própria Lei. Jesus levou a Revelação a pleno cumprimento, deu novos conteúdos, corrigiu, explicou: “Moisés disse, eu, porém vos digo...” (Cf. Mc 10,1-12), isto é, Jesus plenifica o ensinamento de Moisés, mas acrescentando, corrigindo, explicando, dando novo sentido. Ele é a plenitude da Lei, ao contrário de Moises não tem apenas o rosto iluminado quando esta no monte, mas todo o corpo, porque Ele é Deus. Não recebe a Lei em tabuas de Pedras porque Ele próprio é o Logos, isto é, o Verbo de Deus. É em Jesus que toda Lei se completa, “e lhe apareceram Elias com Moisés, conversando com Jesus” (Mc. 9, 4), Elias e Moises representam o Antigo Testamento que agora dar espaço a Jesus, Verbo eterno do Pai, onde se resume toda Lei e os profetas.
A liturgia deste dia traz na primeira leitura o sacrifício de Abraão. Abraão é um homem escolhido por Deus em favor de toda a humanidade. É pela confiança no Senhor que ele deixa a família e sua terra natal para seguir a voz do Senhor. A promessa que o Senhor lhe faz é que sua descendência seria grande. Ao longo de sua história, Abraão por diversas vezes provou ao Senhor teu Deus a sua fidelidade e amor, mas Deus lhe faz um ultimo pedido. O pedido do Senhor a Abraão era que oferecesse em sacrifício seu único filho, “Toma agora teu filho; o teu único filho, Isaac, a quem amas; vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes que te hei de mostrar” (Gn. 22, 2). O sacrifício de Isaac é uma clara imagem do sacrifício de Cristo. Assim como Abraão vai oferecer o seu único filho em sacrifício, Deus oferece o seu único Filho Jesus em sacrífico. A diferença é que no caso do Calvário Jesus o unigênito de Deus não foi poupado como foi Isaac. São Paulo vai nos dizer na segunda leitura de hoje que “Deus nem mesmo a seu próprio Filho poupou” (Cf. Rm. 8, 32). Diante da pergunta do filho, responde Abraão: “Deus mesmo proverá a vítima” (Gn. 22, 8). Deus proveu a verdadeira vítima, seu Filho Jesus, que também carregou o madeiro da cruz (assim como Isaac carregou sobre os ombros a lenha para o sacrifício) no qual padeceu por todos como oferta agradável ao Senhor.
Assim como os discípulos, somos convidados a dar testemunho de Jesus ao mundo ferido pelo pecado. Precisamos ser fortes, anunciar que Jesus morreu para nos salvar, mais ressuscitou, “Cristo Jesus é quem morreu, ou antes, quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm. 8, 34). Venceu todo o mal, as trevas do pecado e da morte. Em Cristo somos mais que vencedores, pois “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm. 8, 31). Por isso, devemos ser sempre confiantes e não nos deixarmos abater por nenhuma espécie de decepção. Peçamos a Maria Santíssima que venha em nosso auxilio para nos mostrar Jesus, Luz que ilumina toda treva do pecado. Maria, Mãe dos pecadores, rogai por nós. Amém.


Roma, 04 de março, 2° Domingo da Quaresma, do ano do Senhor de 2012.



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil

sexta-feira, 2 de março de 2012

Seminário de Vida no Espírito Santo


"O espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor consagrou-me pela unção; enviou-me a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, e aos prisioneiros a liberdade."
Is 61, 1

Se você deseja ter uma experiência profunda na sua vida, uma transformação radical,venha junto conosco participar do Seminário de Vida no Espírito Santo. Acontecerá nos dias 09,10 e 11 de março, próximo final de semana, iniciando-se às 21h do dia 09, na sexta-feira, no colégio Leite Neto (próximo ao colégio frei Cristóvão). Se você se sentir chamado a vim participar, faça já a sua inscrição na livraria Adhonai, ao preço simbólico de R$4,00 que já inclui as refeições e a dormida.

 Qual a finalidade de um seminário de vida no Espírito?

“A finalidade do Seminário de Vida no Espírito é ajudar os participantes a encontrarem uma vida mais rica e melhor. É o momento de se encontrarem com Cristo e viver as verdades mais fundamentais acerca do Amor de Deus, do Pecado, da Salvação, da Fé, da pessoa de Jesus Cristo, da Efusão e Carismas do Espírito Santo.”

Participem!